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Morte súbita em jovens

Falecimento do futebolista Davide Astori

A morte recente de um atleta, sobretudo conhecido, como é o caso do Davide Astori, que aparentemente faleceu de uma paragem cardiorespiratória, causa sempre algum receio no seio da opinião pública, sobretudo nos que praticam uma atividade física. Aproveitamos para contribuir e abordar o tema da morte súbita cardíaca.

Morte súbita

A morte súbita em pessoas com menos de 35 anos é um evento raro e muitas vezes é causado por problemas congénitos cardíacos não diagnosticados ou anormalidades cardíacas desconhecidas. Quando acontecem, neste grupo etário, é frequente acontecer durante a atividade física, sendo que ocorre mais em homens do que nas mulheres.

A maioria das mortes por morte súbita é em adultos mais velhos, sobretudo em indivíduos com doença coronária. A morte súbita consiste na principal causa de morte em jovens atletas, mas a incidência não é clara.

As causas da morte súbita cardíaca em jovens variam. Na maioria das vezes, é devido a uma anormalidade cardíaca e algo provoca que o coração tenha batimentos descontrolados. Esta arritimia é conhecida como fibrilhação ventricular.

Causas

Algumas causas identificadas de morte súbita cardíaca em jovens incluem:

Cardiomiopatia hipertrófica (CMH): Esta alteração do músculo cardíaco geralmente é genética. As paredes do miocárdio tornam-se mais espessas. O músculo mais espesso pode perturbar o sistema elétrico do coração, levando a batimentos cardíacos rápidos ou irregulares (arritmias), o que pode levar à morte súbita.

A cardiomiopatia hipertrófica, embora não seja fatal, é a causa mais comum de morte súbita (causa cardíaca) em pessoas com menos de 30 anos, sobretudo atletas. A CMH muitas vezes não é detectada precocemente.

Anormalidades nas artérias coronárias: Algumas pessoas podem nascer com as artérias que irrigam o músculo cardíaco (artérias coronárias) com alguma malformação. As artérias podem obstruir durante o exercício e não fornecer um fluxo sanguíneo adequado para o coração.

Síndrome do QT longo: Consiste num distúrbio hereditário do ritmo cardíaco que pode causar batimentos cardíacos rápidos e descompassados, muitas vezes provoca desmaios. Os jovens com síndrome do QT longo têm um risco aumentado de morte súbita. Além dos síndrome do QT longo, outras problemas do sistema eléctrico do coração podem causar morte súbita, como por exemplo a síndrome de Brugada.

Outras causas de morte súbita cardíaca em jovens: anormalidades estruturais do coração, sobretudo congénitas e anormalidades no músculo cardíaco. Inflamações do músculo cardíaco, que pode ser causada por vírus e outras doenças.

Commotio cordis: causa rara de morte súbita cardíaca, que pode ocorrer em qualquer pessoa, deriva de um impacto no peito (por exemplo, ser atingido por um disco num jogo de hóquei). Este golpe pode desencadear a fibrilhação ventricular se o impacto se der, exatamente, num determinado período do ciclo elétrico do coração.

Sintomas

Muitas vezes, a morte súbita ocorrem sem avisar, mas existem sinais/sintomas que deverá estar atento:

Desmaios sem causa aparente, sobretudo durante a atividade física, pode ser um sinal de que pode haver um problema com o seu coração.
História familiar de morte cardíaca súbita. O outro sinal de alerta importante é uma história familiar de falecimentos sem causa aparente em indivíduos jovens.
A falta de ar ou a dor no peito podem sugerir problemas cardíacos, embora sejam também causas de outras doenças em jovens como a asma.

Em qualquer um dos casos deve consultar o seu médico de família.

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A importância das relações sexuais satisfatórias na sua saúde

No passado dia 8 de Agosto foi celebrado o Dia Internacional do Orgasmo Feminino e a Fundação Espanhola do Coração (FEC) assinalou a data com uma nota de imprensa onde divulga a importância das relações sexuais satisfatórias na saúde, bem como na prevenção das doenças cardiovasculares.

orgasm day

As relações sexuais são um exercício aeróbico que promove a redução de peso, reduz o stress e melhora a saúde emocional, como qualquer outro exercício aeróbico. No que concerne especificamente à actividade sexual, existem já vários estudos que indicam que está relacionada com a prevenção de doenças (devido ao aumento das Imunoglobulinas).

Já relativamente às doenças cardiovasculares, um estudo publicado no American Journal of Cardiology, sugere que homens que têm relações sexuais duas vezes por semana apresentam 50% menos propensão de ter um enfarte agudo do miocárdio quando comparados com os que tiveram relações sexuais apenas uma vez por mês.

O papel do orgasmo na relação sexual também é destacado nesta nota de imprensa: Durante o orgasmo, várias hormonas (adrenalina, endorfinas e oxitocina – no caso das mulheres) a actuam no nosso corpo como um vasodilatador, que permite uma melhor circulação do sangue e reduzindo a propensão para gerar coágulos sanguíneos.

Relativamente às mulheres, um estudo realizado no Reino Unido, revela que a falta de orgasmo promove um maior risco cardiovascular. O trabalho foi feito em 100 mulheres, com enfarte agudo do miocárdio e demonstrou que 65% das mulheres eram incapazes de atingir o orgasmo. No grupo de controlo apenas 25% revelou o mesmo problema.

 

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Ruído do tráfego ligado a um maior risco de enfarte do miocárdio

A exposição ao ruído de tráfego, independentemente dos níveis de poluição do ar, pode aumentar o risco de ter um enfarto agudo do miocárdio (EAM), sugere um estudo dinamarquês, publicado em Março de 2012.

Em cada aumento de 10 decibéis no ruído do tráfego perto da casa de uma pessoa, o risco de ter um episódio de EAM durante um período de 10 anos foi 12% mais elevado, de acordo com o investigador dinamarquês Mette Sørensen,  do Institute of Cancer Epidemiology, Danish Cancer Society em Copenhague, e seus colegas.

A relação foi linear e dose-dependente em toda a gama de exposições de ruído (42 a 84 dB), segundo os pesquisadores.

Estudos anteriores têm demonstrado associação entre risco de doença isquêmica miocárdica com o ruído de tráfego e poluição do ar ambiente, mas poucos estudos têm incluído as duas medidas.

Para explorar ainda mais o problema, Sørensen e colegas analisaram dados de moradores de Copenhaga, com idades entre 50 a 64 no início do estudo. A análise incluiu 50,614 pessoas que não tinham registo de cancro nem de doença arterial coronariana.

Os investigadores estimaram o ruído do tráfego usando os endereços da residência dos participantes recolhendo os níveis estimados de monóxido de azoto, como medida de exposição ao ar poluição.

Através de um acompanhamento médio de 9,8 anos, registaram-se 1.600 EAM’s identificados através dos registros nacionais e de processos clínicos. Os EAM’s eram mais frequentes a níveis mais elevados de exposição ao ruído de tráfego

Essas associações foram ajustadas para a exposição à poluição do ar, idade, sexo, escolaridade, tabagismo, duração e intensidade, o consumo de frutas e vegetais, índice de massa corporal, consumo de álcool, nível de atividade física, ano calendário e comboios e ruído do aeroporto.

Embora os resultados não podem definitivamente se estabelecer uma relação de causa e efeito entre o ruído do tráfego e risco de EAM, os pesquisadores notaram que o ruído em geral, induz a uma resposta de stress com hiperatividade do sistema nervoso simpático seguida de uma elevação da pressão arterial, frequência cardíaca e vasoconstrição arterial.

Além disso, o ruído afecta o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, levando a aumento dos níveis de cortisol e, se o ruído for durante a noite pode perturbar o sono, condicionando a função metabólica e a função endócrina e prejudicar o sistema imunitário.

Eles reconheceram algumas limitações do estudo, incluindo o facto de que a população estudada maioritariamente urbana não é representativo de toda a população dinamarquesa, a possível influência de falecimento por outras causas, as incertezas nas avaliações de exposição ao ruído, a falta de informação noutras fontes de ruído e possível confusão residual com factores não controlados, tais como história familiar de EAM.

Fonte: Sørensen M, et al “Road traffic noise and incident myocardial infarction: a prospective cohort study” PLoS One2012; DOI: 10.1371/journal.pone.0039283.